Armon Jay e Scott, no palco do Allianz Parque, em São Paulo.

Armon Jay e Scott, no palco do Allianz Parque, em São Paulo. (Créditos: produção DC)

Confiram a última parte da entrevista que fizemos com o Chris em São Paulo, antes do último show no Allianz Parque.

DC Brasil: Aqui no Brasil, o Dashboard Confessional influenciou muitas bandas. A Fresno é um grande exemplo…

Chris: Eu sou um grande fã deles também. Eu vi eles tocarem nos Estados Unidos, no festival South by Southwest.

DC Brasil: O vocalista, Lucas, escreveu como se emocionou com sua presença. A Fresno costumava tocar várias de suas músicas nos shows deles. Você sabia de toda essa influencia que o Dashboard teve em bandas brasileiras?

Chris: Não, nem um pouco. Eu nem sabia que tinha influenciado a Fresno, nunca tinha ouvido sobre isso. Eles são caras muito legais.

DC Brasil: Em Porto Alegre você nos contou que os pedidos de um novo álbum têm sido frequentes. Essa pressão influencia na rapidez com que você finaliza seus trabalhos?

Chris: É engraçado. Apesar de eu querer que o novo álbum saia tão logo quanto os fãs querem que saia, e eu realmente espero que ele fique pronto até o fim do ano, quando você está em busca das melhores músicas as coisas vão se alterando com o tempo. A nova música que estamos tocando nos shows, “Kinda Yeah Sorta”, não estava planejada para fazer parte do novo álbum, apesar de eu gostar muito dela. Achei, então, que seria ok tocá-la ao vivo, por diversão. Mas do jeito que o público tem cantado, eu acabei pensando “Oh…talvez ela acabe indo pro álbum…”. Não tem como simplesmente lançar todas as músicas que eu gosto. Tem que ser as melhores músicas entre aquelas que eu gosto. Eu não sabia que Kinda Yeah Sorta era uma das melhores, mas do jeito que o público reagiu, parece que ela pode ser.

DC Brasil: Já aconteceu de você não querer colocar uma música em um álbum, mas você teve que colocar?

Chris: Não, mas provavelmente já houve músicas que eu queria ter colocado e não coloquei, coisas que eu queria ter feito. Às vezes me surge um verso cinco anos depois, daí queria poder revisitar a música.

DC Brasil: Se você pudesse escolher um artista ou uma banda com quem tocar, quem escolheria?

Chris: [Longa pausa] É difícil escolher só um, não é? Eu posso dizer algumas bandas do nosso meio, as que eu cresci ouvindo. Os Descendents… Uma enorme influência foram The Beach Boys… De agora, teria Bob Dylan… Tem também um cara chamado Cory Branan que é um fantástico compositor…

DC Brasil: Você tocou Tall Green Grass, do Cory Branan, da última vez que veio ao Brasil, não?

Chris: Sim, eu toco algumas músicas dele, ele também toca as minhas. É um jeito de se sentir sempre perto dos amigos, tocando a música uns dos outros.

DC Brasil: Foi curioso quando o R.E.M. tocou com vocês e Michael Stipe cantou Hands Down. Inicialmente você pensa que nunca dará certo, mas no fim ficou diferente e legal.

Chris: Ele adora a música, então deu certo. R.E.M. definitivamente também está na minha lista.

DC Brasil: Suas músicas são carregadas de emoções e falam de relacionamentos que não se desenrolaram muito bem. Você escreve a partir de sua experiência? São realmente sobre relacionamentos passados ou um relacionamento em específico?

Chris: [Longa pausa] Todas as músicas que escrevo são sobre minhas experiências… algumas das que tive durante a vida. Não são todas tristes, há muitas músicas felizes também. [Pausa] E não, elas não são sobre uma só garota. Escrevi músicas que falavam da tristeza em perder alguém que você ama, e que também te ama, mas que por alguma razão vocês se machucam constantemente e terminam por causa disso. E depois voltam. E terminam novamente, até você perceber que não é a pessoa certa. [Pausa] E ela era tão próxima de ser a pessoa certa…tão próxima que às vezes ficava difícil saber.

DC Brasil: Há uma raiva em algumas músicas, o que é normal para todo mundo que já teve um relacionamento que não tinha como dar certo. A raiva às vezes é positiva… acredito que as pessoas se identifiquem com tudo isso e com a raiva também.

Chris: Ela foi necessária. Nem eu, nem as garotas somos mais aquelas mesmas pessoas. Já faz muitos anos… Os sentimentos todos que eu vivi naqueles momentos e aquelas garotas foram necessários para eu entender como seria alguém ideal. As pessoas têm histórias semelhantes, passam por tristezas e alegrias semelhantes, por isso se identificam com a minha música.

DC Brasil: O sucesso do Dashboard interferiu nessas histórias, mudou em alguma coisa?

Chris: Eu sou apenas um cara normal, que vive o que todos vivem. A diferença é que minhas experiências foram ouvidas por muito mais pessoas, porque eu as transformei em música. Quando eu escrevi, eu não esperava que mais gente fosse ouvir. Mas aconteceu… Eu continuo sendo o cara que prefere tocar em um porão e pode falar depois do show com o pessoal que vem ver eu tocar, do que ser aquele cara que todos se perguntam “Oh, meu Deus! O que será que ele faz depois do show?!”. Se eu não tivesse de tocar hoje à noite, provavelmente estaria assistindo um show de alguém. Sou um cara como todos os outros.

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