Em Fortaleza, Chris desce do palco para reencontrar Natália, fã que não via desde seu último show no Brasil, em 2013.

Em Fortaleza, Chris desce do palco para reencontrar Natália, fã que não via desde seu último show no Brasil, em 2013.

DC Brasil: Vamos falar um pouco do que se passou até agora. Você já sabe dizer qual foi seu show favorito nesta turnê?

Chris: Hummm…

DC Brasil: Provavelmente não Porto Alegre…

Chris: Por quê?

DC Brasil: Pela tempestade, os problemas técnicos no som.

Chris: Tivemos problemas com a chuva em Porto Alegre, mas estamos acostumados a isso, tudo bem.

DC Brasil: Em Fortaleza você pareceu bastante animado, até desceu do palco para dar um beijo na Natália. Ela esteve conosco quando você veio para os shows solo de 2013…

Chris: Sim, eu lembro.

DC Brasil: …você sempre se recorda dos seus fãs, mesmo quando não os vê por muito tempo. Foi uma surpresa agradável ver o reencontro de vocês.

Chris: Eu tive que pular a grade para chegar até os fãs e olha só…[aponta para o joelho, rindo] rasguei minha calça no caminho.

DC Brasil: Intenso!

Chris: Na verdade, essa turnê tem sido muito intensa. São 7 shows em pouco mais de 10 dias e isso é muito. Então, para escolher um público e um lugar é algo que leva tempo, semanas depois de a gente terminar tudo e voltar pra casa, porque é quando vêm as lembranças e daí eu poderia lhe dizer. Essa é uma pergunta difícil…

DC Brasil: Tem dado tempo de ao menos visitar alguns pontos turísticos e ver alguma coisa das cidades em meio aos shows?

Chris: Não muito. Mesmo em dias de folga, estou no meio do meu trabalho, então não fizemos muito disso. Mas teve uma praia em…

DC Brasil: …Fortaleza? Crocobeach?

Chris: É, acho que é isso. É muito lindo e divertido por lá. Mas mesmo nos Estados Unidos, quando estamos em turnê, a gente geralmente não vê quase nada, porque não estamos de férias, sabe? Pode parecer tudo muito divertido, mas o foco é sempre, sempre no nosso trabalho.

DC Brasil: No show anterior, você apresentou Screaming Infidelities como uma “canção de amor”. Imediatamente os fãs do Maroon 5, que lotavam o estádio, levantaram as luzes dos celulares e deram à música um aspecto romântico, iluminando absolutamente toda a arena. Eles ficaram felizes com a música, o que é uma reação incomum, considerando o que ela realmente diz.

Chris: Não há problema. Eu acho que toda resposta do público é a resposta correta. Qualquer reação que venha do coração é a resposta certa.

DC Brasil: Há dias em que uma música lhe soa muito triste e no outro lhe faz feliz, não é?

Chris: Exatamente. Eu toco as mesmas músicas em todos esses shows. Se você escolher qualquer uma delas, hoje eu posso sentir algo completamente diferente do que senti quando a toquei antes de ontem. Eu posso até ter em mente algo distinto, mas eles vão responder de acordo com o que o show está passando para eles. Isso difere a cada show e é realmente interessante.

DC Brasil: É bastante evidente a identificação entre os fãs do Dashboard Confessional e a sua música. Geralmente os fãs gostam de todas elas, porque se veem representados nas emoções que conectam todas as canções. Isso é surpreendente, porque o Dashboard tem um repertório muito extenso, seria natural algumas não serem populares entre os fãs.

Chris: Tem a ver com o que conversávamos antes da entrevista. Para o próximo álbum, já temos 30 músicas gravadas. Queremos chegar a 40, para só então selecionar pouco mais de 10 que entrarão no corte final. Elas precisam ser exatamente as músicas certas.

DC Brasil: Deve haver dezenas que existem e nunca foram ouvidas.

Chris: Sim, centenas. Talvez elas se encaixem em algum momento.

DC Brasil: Você tenta contar uma história em cada um de seus seus álbuns?

Chris: Sim. Eu não tenho nenhum álbum que seja “conceitual”, como dizem, mas todos eles seguem uma certa linha. Nenhum deles fala de uma só coisa em específico, mas todos contam quem eu sou naquele momento. Às vezes, acontece de você conseguir as melhores músicas de uma só vez, mas também acontece de eu ter selecionado o que acho ser as melhores músicas para o que estou sentindo, mas de última hora gravamos mais uma, que se torna especial e faz você perceber “oh! Essa representa a história que eu quero contar!”. Então, você esquece das outras e reinicia o processo todo a partir dela.

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A terceira e última parte da entrevista com o Chris Carrabba sairá dentro dos próximos dias!