Esse será um post diferente. O show de Curitiba foi bem fora dos padrões, não sei se pela casa de shows ser menor, mas tudo foi muito mais intimista que o normal, então não combina uma matéria “jornalística” para descrevê-lo. Fica aqui uma versão no bom e velho estilo FÃ de ser. Espero que traga a vocês um pouco do sentimento que todos vivemos naquela primeira semana de março… tenha você ido em Curitiba ou em São Paulo, tenho certeza que nossos corações bateram na mesma frequência pelo Dashboard. Aí vai meu relato, com todos os detalhes que pude lembrar. Revivam comigo!

“O sol ainda estava alto na tarde do dia 08 de março, quando já era possível avistar uma pequena fila do lado de fora do Music Hall. A maioria daquelas pessoas era fã do Anberlin, é verdade, mas cada vez que um fã do Dashboard chegava, eu ficava muito alegre. Fazia uns 10 anos que nós esperávamos por aquele show e a ansiedade de encontrar alguém na mesma situação, algum membro da saudosa comunidade do Orkut, era imensa. Confesso que, por morar em Curitiba a vida inteira e saber que não recebemos shows bons com frequência por aqui, eu estava bem apreensiva sobre a quantidade de fãs do DC que iriam aparecer. Meia dúzia? Uns vinte? Ai, que nervoso! Por ser a minha cidade, parece que eu me sentia de alguma forma “responsável” para que o público fosse bom, que cantasse as músicas, que o show fosse empolgante, enfim, que saísse tudo certo no fim e o Chris se sentisse “em casa”. Besteira, eu sei, mas quanto mais a ansiedade aumentava, quanto mais alguém se aproximava com a camiseta do Anberlin, mais os sentimentos se misturavam… difícil a gente ser totalmente racional nessas situações. E depois de uma década de espera…

A fila ia aumentando e já não dava mais para precisar se a maioria veio pelo Anberlin. Quando a noite caiu, já era notável a proporção inesperada de fãs do Dashboard que apareceram. Alguns vinham na minha direção, inclinando a cabeça e espremendo os olhos, perguntando se eu “não era aquela menina do Orkut…”. Que delícia saber que, além de tudo, o Dashboard nos trouxe novos amigos. Eles vinham com o mesmo brilho no olho, o mesmo frio na barriga, querendo saber de tudo que acontecia: “hey, cadê a bandeira do Brasil pra gente assinar? E o Chris, cadê? Ele já tá lá dentro?!”

Sim, ele estava. Chegou cedinho, passou o som com músicas que acabaram não indo para a setlist (cover de El Scorcho, acordes de End of An Anchor, música inédita do Twin Forks), deixou rapidamente a “concentração” para receber presentes e, enquanto isso tudo acontecia, a fila ia virando a quadra lá fora.

As portas abrem e o show não demora para começar. Cerca de 75% da casa estava cheia e a julgar pela altura com que as pessoas cantariam nos moments seguintes, pelo menos metade do público era fã do Dashboard. É comum que uma ou outra música não seja cantada em uníssono, mas surpreendeu demais o coro da plateia em absolutamente todas as músicas, talvez com exceção do cover (Tall Green Grass) e da nova música do projeto paralelo do Chris (Twin Forks).

Assim que Chris entra no palco, a equipe do Music Hall solta uma nuvem de gelo seco que faz o já pequeno serzinho sumir em meio à fumaça. Ele já foi dizendo que deveria ter vindo ao Brasil muito antes e agradeceu a todos pela paciência em esperar.

crowd

E valeu muito a pena. O coro já começou em The Good Fight, a primeira do set. No fim da música, o pessoal do Music Hall solta o gelo seco de novo e ele, sempre sorridente, não segurou a piada: “veja só essa fumaça, cara! É como se eu tocasse numa banda de rock, que tal?!”.

O clima realmente era muito descontraído e ele seguiu com So Impossible. No fim, perguntou para os fãs: “o que mais?”, ao que um homem (vozerão!) respondeu: “THE PLACES YOU HAVE COME TO FEAR THE MOST!” e Chris: “ok!’, iniciando a música imediatamente após o pedido do fã, que não acreditou em ser correspondido. Pra ficar ainda mais lindo, Chris tocou uma versão super antiga (2000? 2001? Não lembro!), cujo finzinho não se ouvia há muito, muito tempo. Linda demais.

Na noite anterior, durante o Pocket Show em São Paulo, alguns fãs pediram muito para que ele tocasse This Bitter Pill. É uma música bem pesada, então não rolou. Só que o pedido continuou insistentemente em Curitiba e na primeira brecha alguém gritou bem alto o nome da música. Chris, que parecia conversar com a gente o tempo todo durante o show, disse: “vocês realmente querem essa, hein?” e mandou ver no ‘walking awaaaay it’s not the saaame as runninnnng…’. Super raro!

Mas algo ainda mais inesperado aconteceu: lá pela metade do show, quando Chris mal tinha começado a cantar The Brilliant Dance, cai toda a energia do local. Tudo! Luzes, som, tudo silencia. O que não silencia é o zum-zum na plateia, como quem quer dizer: “meu Deus, a gente espera uma década pelo show e agora acontece isso?! Por favor, alguém diz que não é verdade!”.

Só que havia um detalhe: o show era DO DASHBOARD CONFESSIONAL. Em show do Dashboard, acontece o show mesmo sem luz, sem microfone, mesmo com violão desplugado! A galera começou a fazer ‘ssssshhhhhh!’: o Chris estava no palco pedindo silêncio, no escuro. Aí todos ficaram bem quietinhos e ele disse algo como: “vamos tentar ficar assim e ver se a gente consegue fazer isso” e antes que alguém pudesse terminar de respirar, ele já engatou um Again I Go Unnoticed, com violão cru e sem microfone, para a loucura de todo mundo, que cantou tudo no escuro, a plenos pulmões, marcando o tempo da música com palmas. Momento único!

Só que começaram a aplaudir loucamente antes da música acabar (no finzinho, faltava uns 4 versos). Foi o tempo de improvisarem o som e a iluminação e, quando todos já esperavam outra música, ele terminou de cantar os versos que faltavam de Again I Go Unnoticed! Piadista! No fim, ele estava felizão que a gente acompanhou super bem, a ponto do som e da luz nem fazerem diferença,  e disse: “não há mesmo nada que vocês não sejam capazes de fazer”.

Depois já voltou a luz e o pessoal começou a chamar a atenção do Chris, para olhar para o bonequinho que a Renata, fã do Rio Grande do Sul, fez dele, em biscuit:

dollrenata

Mas essa parte deixa para a própria Renata contar num próximo post, porque foi muito especial. Foi o presente que o Chris mais gostou, merece um post à parte, contando tudo com o amor que isso merece. Os vídeos dela, são alguns dos melhores no Youtube (do show de Curitiba).

A setlist completa do show, na ordem, foi:
-The Good Fight
– So Impossible
– The Places You Have Come To Fear The Most (versão super mega antiga)
– Don’t Wait
– This Bitter Pill
– Carry This Picture
– The Sharp Hint of New Tears
– Saints and Sailors
– Screaming Infidelities
– The Brilliant Dance (poucos versos, antes do apagão)
– Again I Go Unnoticed (no escuro!)
– As Lovers Go
– Tall Green Grass (cover de Cory Branan)
– The Swiss Army Romance (com o trecho de “Wow, I Can Get Sexy Too, da banda Say Anything)
– Scraping Up The Pieces (Twin Forks)
– Stolen
– The Best Deceptions
– Remember to Breathe
– Vindicated
– Hands Down.

DEZENOVE músicas. Vinte, se contar que ia rolar The Brilliant Dance. Maior setlist de todos os shows do Brasil. Realmente Curitiba mereceu, estava tudo muito lindo, galera destruiu!

Depois do show, Chris saiu e foi conversar com os fãs, como de costume. Tirou fotos com todos, recebeu mais presentes, ouviu muitas histórias. Acho que todos saíram muito felizes, com a certeza de um sonho realizado e de participar de uma noite inesquecível. Ao fim do último show em São Paulo, eu soube que alguns aspectos deste show foram os preferidos do Chris, entre todos os shows do Brasil. Só nos resta ter orgulho! Parabéns para nós, Curitiba! E que ele volte logo, com a banda toda e com o Twin Forks!” 🙂

 

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